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terça-feira, 7 de novembro de 2017

Opinião 3: Tania Malheiros




Estou lendo “Bonecos e Pretinhas”, o mais novo livro do fotógrafo Aguinaldo Ramos. 
Não consigo parar. É instigante, bom demais, prende a gente a cada linha, nas histórias do casal que se descobre e por aí vai.

Têm passagens – lembranças – das redações da nossa época, e cenários com as manifestações contra o recente golpe, dentro do encontro e reencontro do casal.

Não estou aqui para contar a história e muito menos fazer crítica, porque não me sinto credenciada para tal. 

Show “Trio Samba, Bossa e Breque”, CCJF, Rio - foto Guina Ramos, 2017.

Mas, olha que honra! Até o meu show “Trio Samba, Bossa e Breque” aparece como ambiente de um dos encontros do casal. Não é demais? É muita honra! 

O fato é que o livro “bate um bolão” e me dá grande alegria com a belíssima carreira de fotógrafo, cada dia mais se consagrando como escritor.

Parabéns, Aguinaldo.


Tania Malheiros é jornalista e cantora. 
Por acaso, foi a leitora #1 da versão final do livro.
Nos encontramos em outro lançamento, eu acabara de receber os livros e levara um como amostra.
Daí, ansioso pela sua opinião...

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Opinião 2: Paulo Sérgio Pereira

Outro muito antigo amigo, Paulo Sérgio Pereira, 
também em retiro longínquo, sempre ao lado da bela Dela, 
viu o protótipo de Bonecos e Pretinhas por outro viés... 


O livro chegou na cidade, e ainda não tive tempo de ir buscá-lo.
Entre plantões, seminários e palestras, comecei a ler Bonecas e Pretinhas através do arquivo que você me enviou...  Vamos lá...
Na proposta de estabelecer uma proximidade entre realidade e a imaginação, Guina não só consegue, como ultrapassa os limites de uma e outra coisa...
Ao ler Bonecos e Pretinhas, percebemos que não se trata, apenas, de uma ficção contemporânea, e sim de uma "pseudo" autobiografia, onde, através de um ativismo político de Graça e a necessidade de se transpor os limites da classe média, se manifestam a Vila Autódromo, a "cake designer", o bloco Maracangalha e a turma de Manguinhos, entre confetes e serpentinas de um carnaval-cenário, palco dos acontecimentos...
E tudo isso perpassado em uma poesia manifestada como... "a máquina de costura que consertava angústias"... e que ... "todo começo é, também, um rompimento"...
Bonecos e Pretinhas é uma ficção contemporânea de três personagens... Guto, Graça e a expectativa... Sim, em determinado momento da leitura, tive que reconhecer a minha torcida para que tudo ocorresse bem entre uma e outra travessia Rio-Niterói, para um melhor encontro entre Guto e Graça...

Ponte Rio Niterói, Arco Central - foto Guina Araújo Ramos, 2016.


Sim... Aconteceu!!!
A fluência como Guina faz a sua caminhada literária e o diálogo estabelecido entre os Bonecos e as Pretinhas, nos leva a crer e a desejar que esta sua série memorialista não deva parar por aqui...
"Toda foto é um corte do que se vê"...
Mas aquilo que se escreve é, também, um corte no tudo o que se tem a dizer...
E ainda falta muito a ser dito...
Meus abraços e admiração.

Paulo Sérgio Pereira é médico 
recém-formado pela UFRJ, após 60 anos e tal, 
e longa atividade empresarial em Educação.

sábado, 4 de novembro de 2017

Opinião 1: Carlos Rivorêdo

O muito antigo amigo Carlos Rivorêdo, 
do seu retiro longínquo, sempre presente às questões sociais, 
leu o protótipo de Bonecos e Pretinhas e descascou... 
.
Guina, vou dizer o que me veio à cabeça com a leitura de seu livro. Não sou crítico literário; visto apenas a pele de leitor atento. Só.
Seu escrito me trouxe à mente inúmeras coisas. A primeira delas foi uma vontade enorme de reconciliação com minha cidade natal. O Rio de Janeiro tão judiado, emblema do Brasil. Essa cidade que me viu nascer, crescer, tornar-me o que sou e que, sem saber, impregnou-me de seu modo de viver ou de (sobre)viver. Hoje, vivo, mesmo que seja em uma dimensão pequena, a experiência do estrangeiro, estando fora da vizinhança da Boca Banguela há quarenta anos. Lendo sua produção em letras e imagens percebi o quanto ficou impregnada a cidade e sua generosidade violenta.

A boca banguela da baía da Guanabara - foto Guina Araújo Ramos, 2013.
Pensando o Rio e o Brasil, conforme você me trouxe, senti que há (e sempre haverá) um conflito subliminar, mas com contornos evidentes no cotidiano. Essa contradição entre uma sociedade que se organiza em torno de abstrações inquietas e a sempre efervescente manifestação do real da comunidade. A primeira, na tentativa atemporal de tornar os homens e mulheres uma massa homogênea e dócil, movida a servidão imposta por dispositivos de poder que oprimem a todos, seja pelo poder macropolítico, seja pela circulação dos poderes microcirculantes. A outra, com seus contornos de procura de identificação entre seus elementos, mutável, dinâmica, esforçando-se a todo momento para viver o real, aquilo que encontra no virar uma esquina. Nessa, os sujeitos se encontram, desencontram e se fazem humanos.
Essa contradição me pareceu presente, o tempo inteiro no seu livro, tanto nos bonecos quanto nas pretinhas. Aqueles funcionando como testemunhas e emblemas do real que as pretinhas evidenciam. Os bonecos dizem dos momentos expressos nas palavras que, a todo momento tentam dar pistas da concretude da vida. Como tudo é interpretação e discurso, as palavras expressam e as imagens dizem algo como: “Olha aí, eu não disse?” Exemplo.
Como não há diálogo entre eles, bonecos e pretinhas dizem em conjunto o que o leitor encontra na perplexidade desses nossos tempos tão terríveis. Fica bem claro, para quantos quiserem ver, o tanto de reflexo na vida dos que pensam e praticam a solidariedade e a preocupação com a ResPublica, a dura realidade que esse tempo nos impõe.

http://www.libero-arbitrio.it/mitologia/vaso-di-pandora-significato-mito/
O vaso de Pandora está aberto. Os males se exteriorizam diuturnamente trazendo para o real o binômio fascista do ódio e do medo. Tornam a vida um moto perpétuo de sobreviver a qualquer custo e a duras penas. Isso, as palavras e as imagens me trouxeram. Os bonecos e sua transmissão atemporal do real e as pretinhas trazendo o que há de desdobramento no mesmo real do vaso destampado.
Mas, como nos chama a atenção o próprio mito, dentro do vaso, escondida, mas presente, virtuosa, sobreviva e forte, está a tal Esperança. Bela, discreta, insidiosa e poderosa, ela se instala e toma as formas que o tempo lhe permite, como uma metamorfose que se transforma segundo a necessidade. Seja no Carnaval parcialmente interditado, na beleza para outros da reforma urbana, seja nas idas e vindas da satisfação do desejo de dizer não a uma sociedade perversa e pervertida, seja, enfim, no que aproxima os homens e as mulheres pela constância do amor e suas inúmeras formas de existir.
Esse movimento, no seu livro, nas palavras e nas imagens, está afirmado a todo momento. Claro que os Males estão soltos, mas é nítida a Esperança que se esgueira sorrateira entre eles e afirma a Vida como valor maior. Nós, humanos, somos capazes de amar.



Carlos Rivorêdo é médico 
(Faculdade de Ciências Médicas – UERJ e Universidade de Taubaté – UNITAU)
e ex-professor na Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP.